Obra da UPA Veterinária será transformada em CMEI em Anápolis

A obra da UPA Veterinária de Anápolis não será concluída conforme o projeto original. A Prefeitura confirmou que o prédio, localizado no Parque Residencial das Flores, será destinado à implantação de um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI), após avaliação da Secretaria Municipal de Educação que apontou alta demanda por vagas em creches na região. A mudança de finalidade foi criticada pela vereadora Thaís Souza (Republicanos), uma das principais defensoras da implantação da unidade veterinária. Em entrevista à Rádio São Francisco, a parlamentar disse que tomou conhecimento da alteração por terceiros e, ao visitar o local, verificou que a estrutura já estava sendo adaptada para receber a nova unidade de ensino.

Segundo a administração municipal, a decisão foi baseada em critérios técnicos e no interesse público. A Prefeitura informou que o futuro CMEI atenderá dezenas de crianças da região, considerada uma das áreas com maior necessidade de ampliação da oferta de educação infantil. Thaís Souza lamentou o redirecionamento da obra e sustentou que o projeto original previa a implantação de um complexo voltado à causa animal, com estrutura para castrações, atendimentos clínicos e acolhimento de animais abandonados e atropelados.

“Isso é um grande desmanche para a causa animal, de um trabalho do nosso mandato, de uma conquista…Foi um local pensado, estudado, analisado e muito sonhado e que, infelizmente, nosso sonho pela causa animal foi interrompido”, declarou. A vereadora também relatou que esperava ser comunicada previamente pela gestão municipal sobre a mudança. Segundo ela, havia um compromisso do prefeito Márcio Corrêa (PL) de concluir a obra conforme o projeto inicialmente apresentado. Ainda durante a entrevista à São Francisco, Thaís argumentou que um centro de castração não substitui a estrutura planejada para a UPA Veterinária, por entender que a política pública voltada aos animais exige uma rede mais ampla de serviços. “Castração é necessária, mas só isso não supre. Nós precisamos de atendimento, vacinação, microchipagem e diversas ações que esse local iria absorver”, pontuou.

Em resposta, a Prefeitura informou que a política municipal de proteção animal passa por uma reestruturação. Entre as medidas anunciadas estão o credenciamento de duas clínicas veterinárias para realização de castrações, o processo de contratação de unidades para acolhimento de animais em situação de abandono e a implantação de um Centro de Castração e Atendimento Clínico Veterinário. De acordo com o município, essa nova estrutura contará com atendimento clínico para casos de urgência, será operada por profissionais da própria Prefeitura e terá custo inferior ao de uma UPA Veterinária de grande porte. A administração também argumenta que o equipamento será instalado em área de fácil acesso, atendida pelo transporte coletivo.

O Executivo acrescentou que os recursos utilizados são provenientes do Finisa (Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento), e não de uma emenda parlamentar específica para implantação da UPA Veterinária. Segundo a administração, essa origem dos recursos permite a redefinição da destinação do imóvel, desde que observadas as prioridades da gestão e a legislação vigente.

Histórico

A UPA Veterinária começou a ser construída na gestão anterior e chegou a ultrapassar 80% de execução. Em julho do ano passado, o prefeito Márcio Corrêa condicionou a retomada da obra à obtenção de novos recursos pelas vereadoras ligadas à causa animal, alegando dificuldades orçamentárias enfrentadas pelo município.  Desde a paralisação, o canteiro de obras foi alvo de invasões, furtos e atos de vandalismo, enquanto vereadores e protetores de animais cobravam a conclusão da unidade.

Fonte Diário do Município