A polícia do Rio Grande do Sul localizou, na manhã desta quarta-feira (26), dentro de um alçapão de uma loja de conveniência, em Tramandaí, uma menina de 9 anos que havia desaparecido na terça-feira. Segundo as investigações, ela foi atraída para o estabelecimento pelo dono, com a promessa de ganhar um picolé, que a deixou em um alçapão abaixo do piso. No momento em que recebia voz de prisão, o suspeito — um homem de 61 anos — foi linchado por moradores do bairro Parque dos Presidentes que invadiram o local. Levado sob custódia para o hospital, não resistiu aos ferimentos
— A garotinha estava escondida no alçapão, dentro de um buraco. Provavelmente foi abusada, agora vai depender das perícias e exames, mas pelo que a gente constatou, ela foi abusada sexualmente durante a noite — afirmou o delegado Alexandre Souza. O comerciante tinha antecedentes criminais por feminicídio, tráfico de drogas, furto em veículo, crueldade contra animais e lesão corporal.
O pai da menina relatou que ela havia saído de casa, por volta das 16h, para brincar. Parentes estranharam a demora para seu retorno e iniciaram as buscas nas proximidades. Com a ajuda de vizinhos, espalharam cartazes e acionaram um carro de som que percorreu as ruas anunciando o desaparecimento. Durantes as buscas, o pai foi até a loja de conveniência e estranhou a conduta do dono do estabelecimento quando foi perguntado sobre a menina. A música muito alta que tocava no local chamou sua atenção. Ele também suspeitou de um arranhão no nariz do suspeito.
Agentes da Brigada Militar e a Polícia Civil foram chamados e, ao olharem as imagens de câmeras de segurança da rua, identificaram a criança entrando na loja. Ao chegarem ao local, os policiais ouviram gritos de socorro vindos do interior da loja. Uma busca foi realizada, e a menina foi encontrada presa em um compartimento escondido. O dono da conveniência recebeu voz de prisão no momento do resgate. Foi quando uma pessoa que estava dentro do estabelecimento alertou moradores sobre a detenção, desencadeando a revolta.
Houve uma invasão à loja, e o proprietário foi espancado. Os PMs que prestavam atendimento à criança solicitaram apoio para tentar evitar o linchamento. Os moradores também destruíram a loja de conveniência e um carro. Diante do tumulto, a Brigada Militar interveio com balas de borracha, gás de efeito moral e spray de pimenta para dispersar a multidão.