Senador americano sugere que negros morrem mais de Covid-19 porque ‘não lavam as mãos tão bem’

Senador republicano, Steve Huffman de Ohio, nos EUA — Foto: Reprodução/Facebook/SteveHuffmanforOhio

A afirmação não tem aval científico e especialistas norte-americanos apontam para desigualdades que tornam essa população mais vulnerável à pandemia.

Um senador republicano sugeriu que a pandemia de Covid-19 atinge mais negros nos Estados Unidos porque este grupo não lavaria as mãos “tão bem” como outros. Essa insinuação não é reconhecida pela comunidade médica do país que aponta para as diferenças socioeconômicas como definidoras da vulnerabilidade desta população. Steve Huffman, que é médico, fez um questionamento à diretora da comissão de saúde das minorias de Ohio, Angela Dawson, durante uma sessão do parlamento local que discutia, na terça-feira (9), políticas públicas de saúde para os negros durante a pandemia.

“Entendo que os afro-americanos têm uma incidência mais condições crônicas que os tornam mais suscetíveis à morte por Covid-19”, disse o senador. “Mas por que não os torna mais suscetíveis a contrair a doença? Será que os afro-americanos não lavam as mãos tão bem como outros grupos, nem usam uma máscara ou não se distanciam socialmente? Essa poderia ser a explicação da maior incidência?”Dawson repreendeu o senador e alertou que a sugestão feita por ele não está em acordo com o que dizem os especialistas médicos dos EUA. A fala de Huffman ocorre em meio a onda de protestos antirracistas iniciadas após a morte do ex-segurança George Floyd em uma abordagem policial. A líder da bancada negra da Câmara dos Deputados de Ohio, Stephanie Howse (Democrata), que estava presente na sessão, disse na quarta (10) ao jornal “Dayton Daily News” que a pergunta de Huffman destaca o “racismo estrutural” da sociedade norte-americana. Ao jornal “Washington Post”, Huffman se defendeu e disse que não teve a intenção de soar desrespeitoso. Ele disse que tentou, com sua fala, entender quais motivos tornam os negros mais vulneráveis à doença, porque “realmente não sabemos todos os motivos”.

Fonte: G1