O que se sabe sobre a morte de mulher suspeita de matar família com bolo envenenado

Arsênio comprado legalmente pela internet e adicionado a farinha de trigo inadvertidamente utilizada no preparo de um bolo caseiro. Essa foi a receita macabra que levou a gestora financeira Deise Moura dos Anjos, 42 anos, à Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba Julieta Balestro, no Rio Grande do Sul. Ela cumpria prisão temporária por suspeita de homicídio duplamente qualificado de quatro pessoas da família do marido, Diego dos Anjos. O “bolo envenenado”, no termo cunhado pela polícia e assumido pelos jornais, foi preparado pela sogra de Deise, Zeli Terezinha Silva dos Anjos, com o ingrediente adulterado deixado em sua residência pela nora em setembro de 2024.

Consumido no dia 23 de dezembro pela própria Zeli e outros cinco familiares, no balneário de Arroio do Sal, no Litoral Norte, o doce provocou a morte de três pessoas e a hospitalização de outras três, que receberam alta após internações de alguns dias. Morreram após ingerir o bolo, a partir de 23 de novembro, Neuza Denise da Silva dos Anjos, 65 anos, Maida Berenice Flores da Silva, 58 anos, e Tatiana Denise Silva dos Santos, 43 anos. Neuza e Maida eram irmãs de Zeli, e Tatiana, filha de Neuza e sobrinha da anfitriã.

Segundo o Instituto-Geral de Perícias (IGP) do Rio Grande do Sul, a concentração de arsênio na farinha era 2,7 mil vezes maior do que a do bolo, de 40 gramas por quilo, sugerindo que a contaminação não foi acidental no momento do preparo do alimento. O arsênio é uma substância de circulação restrita e controlada, que até 2005 fazia parte da composição de raticidas comercializados de forma legal, mas sua utilização na fórmula desse tipo de veneno foi proibida desde então.

Deise foi presa temporariamente no dia 5, depois que testemunhas revelaram à Polícia a rixa entre nora e sogra. A frieza da suspeita e o número de vítimas levaram as autoridades a proceder à exumação do corpo do sogro de Zeli, Paulo dos Anjos, morto em setembro por suposta intoxicação alimentar depois de consumir um lanche ofertado por Deise. Os exames revelaram a presença de arsênio no cadáver. Finalmente, perícias do marido e do filho de Deise, que haviam tido episódios de mal-estar na mesma época, indicaram sinais da mesma substância em seus organismos. A polícia chegou a cogitar a exumação do pai de Deise, José Lori da Silveira Moura, morto em 2020, aos 67 anos, de cirrose hepática.

O desentendimento entre Deise e a família do marido teria começado antes mesmo do casamento dos dois, em 2004. Os atritos envolviam razões como a igreja escolhida pela mulher para o matrimônio, um saque de R$ 600 feito pela mãe de Diego da conta-corrente do casal dois meses após a união e a proibição, por Deise, de que os sogros comparecessem à formatura do neto na pré-escola por razões sanitárias durante a pandemia. Em novembro de 2024, durante um novo choque entre nora e sogra na casa da última e pouco mais de um mês antes do envenenamento, Deise fez buscas no celular por “arsênico veneno”, “veneno para o coração” e “veneno para humanos”, de acordo com a Polícia.

O comportamento da gestora financeira durante a investigação policial que levou a sua prisão, no dia 6 de janeiro, chamou atenção pela tranquilidade e frieza. A atitude levou o próprio delegado da Delegacia de Polícia Civil de Torres, Marcos Veloso, responsável pela investigação, a duvidar inicialmente sobre seu envolvimento. O corpo de Deise foi encaminhado ao Instituto Médico Legal para realização de exame de necropsia e esclarecimento da causa de sua morte. A Delegacia de Polícia de Guaíba começou na tarde de quinta-feira (13) a tomar depoimentos de quatro testemunhas sobre o caso. O inquérito policial sobre os quatro homicídios duplamente qualificados, a cargo da Delegacia da Polícia Civil de Torres, tem prazo de conclusão até o próximo dia 20 de fevereiro. Deise era a única investigada pelo crime.

Fonte BBC

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