O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), deixou, ontem, a relatoria da investigação sobre a compra Banco Master pelo Banco Regional de Brasília (BRB). A decisão foi anunciada em uma nota assinada pelos 10 integrantes da Corte, depois de uma reunião que durou mais de três horas. Ele vinha sendo alvo de uma série de questionamentos e acusações de suspeição, que se agravaram depois que o relatório da Polícia Federal (PF), entregue pessoalmente pelo diretor-geral da corporação, Andrei Passos Rodrigues, ao presidente do STF, Edson Fachin, mostrou as menções que Daniel Vorcaro faz ao magistrado, depois de perícia no celular periciado do ex-banqueiro. O novo responsável pelo caso é o ministro André Mendonça.
A polêmica atuação de Toffoli vinha provocando intenso desgaste na Corte. Nos bastidores, os comentários eram de que havia um grande desconforto não apenas devido à atuação do ministro no inquérito, mas pela exposição do STF às críticas. Avaliava-se, também, que era preciso encontrar uma solução que não deixasse o magistrado isolado e exposto, mas que não aprofundasse uma crise inédita no Supremo.
A saída veio por meio de um comunicado, no qual os ministros mantém o integral apoio a Toffoli. Afirmam que as decisões anteriores do magistrado serão mantidas e informam “não ser caso de cabimento para a arguição de suspeição”. Frisa, ainda, o respeito à “dignidade de Sua Excelência, bem como a inexistência de suspeição ou de impedimento”. “Anote-se que Sua Excelência atendeu a todos os pedidos formulados pela Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República”, observa um trecho do comunicado.
Porém, no fim do texto, salienta que foi o próprio Toffoli quem pediu para deixar a condução do inquérito. “Registram, ainda, que a pedido do ministro Dias Toffoli, levando em conta a sua faculdade de submeter à Presidência do Tribunal questões para o bom andamento dos processos e considerados os altos interesses institucionais, a Presidência do Supremo Tribunal Federal, ouvidos todos os ministros, acolhe comunicação de Sua Excelência quanto ao envio dos feitos respectivos sob a sua relatoria para que a Presidência promova a livre redistribuição”, observa. Pouco depois, era anunciado que Mendonça conduziria a investigação.
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